Criada em 21/01/2021 às 17h20 | Pecuária

Abate de bovinos no Tocantins registra queda de 12,04% em 2020; índice negativo é superior ao resultado do balanço nacional

Presidente executivo do Sindicarnes-TO cobra políticas públicas efetivas do governo estadual para a retenção do gado no território tocantinense. “Hoje, temos problema de falta de matéria-prima no Estado. É difícil fechar escalas nos frigoríficos”, disse Gilson Ney Bueno Cabral.

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presidente do Sindicarnes-TO, Gilson Ney Bueno Cabral


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Com 112.558 animais a menos contabilizados no abate de 2020 em comparação com o ano anterior, o Tocantins registrou queda de 12,04% nos frigoríficos com Serviço de Inspeção Federal (SIF). O índice negativo é superior ao balanço nacional, que registrou queda de 10,68%.

De acordo com dados do Sindicato das Indústrias de Carnes Bovinas, Suínas, Aves, Peixes e derivados do Estado do Tocantins (Sindicarnes-TO) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), em 2020 o Estado abateu 822.068 bovinos. Já em 2019 foram 934.626. Em relação a 2018, a queda foi ainda maior: 18,65%. Isso porque naquele ano o Tocantins foram 1.014.314.

O levantamento do Sindicarnes revela também um número muito preocupante: a ociosidade das indústrias tocantinenses. A conta é simples: os chamados frigoríficos ‘sifados’ (inspecionados pelo SIF) no Tocantins têm capacidade de abater 2,180 milhões de animais por ano. Porém, trabalham com número muito inferior a isso. O resultado de abates de 2020 ratifica a tese: apesar de ter condições de atingir 2.180.000, conseguiu 822.068, ou seja, 37,71% da capacidade.

Com isso, a ociosidade foi de 62,29%, a maior desde 2018. Desde então, o número só vem crescendo. Em 2018 era de -53,47% e em 2019 de -57,13% da capacidade. Esse resultado não implica apenas na quantidade processada pela indústria, mas empregos e geração de impostos e renda. Atualmente, os frigoríficos empregam aproximadamente 20 mil pessoas. Com capacidade total, o número poderia chegar a 50 mil vagas de trabalho. E, ao abater mais bois, venderia mais, o dinheiro circularia no comércio, gerando divisão maior de renda e impostos ao poder público em todas as esferas.

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POLÍTICAS PÚBLICAS

A pedido do Norte Agropecuário, o presidente executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes Bovinas, Suínas, Aves, Peixes e derivados do Estado do Tocantins (Sindicarnes), Gilson Ney Bueno Cabral, analisou os números e comentou as razões dos resultados.

Ele cobra políticas públicas efetivas do governo estadual para o setor. “Nosso desempenho ficou abaixo do desempenho geral do Brasil, que foi de 10%. Isso ocorre também em função da falta de política pública ao longo do tempo. Historicamente, o Tocantins não tem política pública de retenção de gado. O governo atual igualou a pauta e alíquota para a saída do gado. Isso terá reflexo positivo, mas para meados de 2021. Hoje, temos problema de falta de matéria-prima no Estado”, ressaltou.

Segundo ele, indústria tem dificuldade para fechar escalas de abates. “Falta gado. É difícil fechar escalas nos frigoríficos. Unidades estão “falhando dia” [intercalando dias de abate na semana, não trabalham todos os dias] para juntar gado. É prejuízo! Precisamos de parceria com o governo em política pública para manter e melhorar a qualidade do rebanho no Estado”, disse.

Recentemente, o Norte Agropecuário noticiou que em três anos, mais de 2 milhões de cabeças de gado “sumiram” do Tocantins. Com isso, o Estado deixou de arrecadar meio bilhão de reais. O "sumiço" se refere ao fato de os bovinos terem sido negociados para outros Estados sem o devido recolhimento dos impostos.

O presidente do Sindicarnes-TO falou que a situação só não é pior porque o Tocantins registrou incremento das exportações. Conforme a própria Abrafrigo, o Tocantins é o nono país no ranking nacional de Estados exportadores de carne bovina.

E, recentemente, duas plantas foram habilitadas a vender para a China, principal parceiro comercial do Brasil e, consequentemente, do Estado. Historicamente os maiores compradores de soja do Estado, também passaram a ser, desde 2019, os principais compradores de carne bovina. “Isso demonstra que nosso parque industrial é de primeira linha e pode atender mercados exigentes no exterior”, destacou. Ele citou ainda Chile, Indonésia e Rússia.

NÚMEROS NACIONAIS

Em nível nacional, a queda no abate foi de 10,68% em 2020 em comparação com 2019. Isso porque no ano passado os frigoríficos sob SIF abateram 21.895.011. A diferença entre um ano e outro foi de 2.169.173 animais a menos. Já em 2019 o número foi de 24.514.184. Em 2018 foram 24.761.794 abatidos. Este número compreende 2.866.783 bovinos a menos que 2020.

E O GOVERNO?

O Norte Agropecuário entrou em contato com o governo do Tocantins na manhã dessa quinta-feira, dia 21, e aguarda um posicionamento sobre o tema. Até o momento, não houve manifestação.








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