Criada em 06/09/2017 às 09h07 | Agronegócio

Mais resistentes às pragas, forrageiras pesquisadas pela Embrapa são boas opções para pecuária sustentável e ao sistema ILPF

Para novas cultivares foram feitos diversos estudos referentes às questões de manejo do pasto, ganho de peso dos animais, altura das forrageiras para entrada e saída dos animais da pastagem.

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Há muitas cultivares consolidadas no mercado e 80% delas são produto da pesquisa da Embrapa; algumas são boas opções para os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (foto: Sandra Brito\Embrapa)

Sandra Brito
DE SETE LAGOAS (MG)

A Embrapa prioriza a pesquisa de melhoramento de espécies forrageiras para dar sustentabilidade à pecuária brasileira. Desde a década de 1980, foram introduzidos no Brasil germoplasmas de Brachiaria e Panicum maximum, o que permitiu o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, de melhor qualidade e mais resistentes às cigarrinhas-das-pastagens.

Segundo a pesquisadora Rosangela Maria Simeão, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), a cigarrinha-das-pastagens é a principal praga que ataca as gramíneas forrageiras. Hoje, já existem várias cultivares consolidadas no mercado e 80% delas são produto da pesquisa da Embrapa, sendo que algumas são boas opções para os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Recentemente, a Embrapa disponibilizou duas novas cultivares de Panicum maximum, a BRS Zuri e a BRS Quênia. Outra nova cultivar é a BRS Ipyporã, um híbrido resultado do cruzamento entre a Brachiaria ruziziensise a Brachiaria brizantha.

Simeão ressalta que para essas novas cultivares foram feitos diversos estudos referentes às questões de manejo do pasto, ganho de peso dos animais, altura das forrageiras para entrada e saída dos animais da pastagem, em regiões que representam os biomas Cerrado e Amazônia Brasileira.

"Obviamente, as pesquisas ainda não estão concluídas, mas, a partir do momento que as cultivares são lançadas e as sementes comercializadas, podemos disponibilizá-las para novos estudos. É preciso realizar, por exemplo, testes referentes à tolerância ao sombreamento em condições de sistemas integrados com Lavoura-Pecuária e/ou Lavoura-Pecuária-Floresta", diz Rosangela Simeão.

Os pesquisadores observaram que esses materiais apresentam vantagens, que devem ser ressaltadas. A BRS Zuri tem resistência a uma doença (Bipolaris maydis) que vem atacando o Panicum cv. Tanzânia em algumas áreas do Norte do Brasil. Já a Ipyporã é o primeiro híbrido de braquiária lançado pela Embrapa, o qual apresenta alto valor nutritivo, resistência a todas as cigarrinhas-das-pastagens e uma alta produção de sementes.

A pesquisadora Denise Baptaglin Montagner, também da Embrapa Gado de Corte, explica que os pontos fortes da BRS Ipyporã são a elevada resistência à cigarrinha-das-pastagens típica e à cigarrinha-da-cana-de-açúcar (Mahanarva spp.). Além disso, seu alto valor nutritivo proporciona melhor ganho de peso para os animais, por apresentar maior teor de proteína bruta. "Só podemos colocar uma nova cultivar no mercado quando há superação das disponíveis, inclusive da qualidade", ressaltou.

O pesquisador Carlos Augusto de Miranda Gomide, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG), ressalta que as cultivares de Panicum maximum, BRS Zuri e BRS Quênia, têm potencial para serem exploradas em sistemas intensivos de produção, com foco maior na intensificação de produção de leite em pasto, basicamente com uso sob pastejo rotacionado.

Segundo ele, a tendência hoje é a intensificação dos sistemas de produção e estas novas cultivares também podem contribuir. "Basicamente ambas apresentam alta produção de forragem e maior facilidade de manejo. Já o BRS Quênia apresenta um melhor valor nutritivo e favorece a redução do uso de concentrado na pecuária de leite. São novas opções que já estão disponíveis para cultivo a partir da próxima estação chuvosa. Porém, recomendamos que a tomada de decisão para troca de uma pastagem deve envolver uma série de questões e precisa de um acompanhamento técnico e planejamento", pontuou.

PASTO CERTO

A Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto) é uma parceira da Embrapa que agrega mais de 30 empresas e produtores licenciados para produção de sementes de forrageiras, localizados nos estados da Bahia, de Goiás, do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais e São Paulo.

A assessora técnica Olaiana Costa de Oliveira Gomes ressalta que um dos objetivos da Unipasto é contribuir para o desenvolvimento e a disseminação de novas cultivares forrageiras. "É uma associação para o fomento de pesquisa, que comercializa sementes de forrageiras da Embrapa por meio de seus associados", disse.

Uma das empresas associadas da Unipasto é a Agro-Sol Sementes. O engenheiro agrônomo Marcos Filho considera que a exclusividade de vendas é um ponto muito importante para o associado e para o produtor. "Temos acesso às novas tecnologias que buscam solucionar problemas no campo. Chamamos atenção, também, para a questão da pirataria. Quem é associado, preza realmente pela questão de levar ao cliente uma semente de melhor qualidade".

Os engenheiros agrônomos Edilson Beloni e Claudinei Henn, da Sementes Oeste Paulista (Soesp), ressaltam que o associado está comprometido em atender as exigências do mercado. "Quem não é associado sabe como é difícil não ter uma semente de boa qualidade para atender o nosso produtor. Hoje, temos exigências de mercado e exigências do produtor para produzir mais em menor espaço", disseram.

Segundo o presidente da Itambé Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR Leite), Marcelo Candiotto, a difusão de tecnologias de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta favorece o uso racional das áreas de pastagens. "A utilização sustentável dessas áreas permite obter maior produtividade, sem necessidade de aumentar as áreas", considera.

Outro produto difundido pela Embrapa é o aplicativo Pasto Certo. Ele oferece informações sobre as características das principais cultivares de forrageiras tropicais da Embrapa e de outras de domínio público, inclusive, comparando-as.

Todos esses assuntos foram apresentados no Seminário "Novas Gramíneas e Forrageiras: produtividade, resistência e nutrição com qualidade", realizado em 24 de agosto, na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas-MG. O Seminário foi promovido pelo Escritório de Negócios da Embrapa Produtos e Mercado, localizado na mesma cidade mineira, e contou com a presença de mais de 100 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, produtores e profissionais do agronegócio.

O gerente Reginaldo Coelho, do Escritório de Negócios de Sete Lagoas da Embrapa Produtos e Mercado, disse que o próximo passo é levar essas cultivares para o campo em parcelas que serão cultivadas em Unidades de Referência Tecnológica, onde poderão ser realizados dias de campo para os produtores. "Já iniciamos as conversas nas regiões das cidades mineiras de Abaeté e Pompeu", informou. (Da Embrapa Milho e Sorgo)

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