Criada em 27/11/2019 às 10h36 | Grãos

Alta do dólar deixa sojicultores em alerta: "Momento é complicado e preocupante", diz presidente da Aprosoja Tocantins

“Por mais que a maioria tenha feito os negócios, comprado os insumos para a safra, tem muita coisa ligada ao dólar”, diz Buffon. Os índices em bushel da bolsa de Chicago não têm acompanhado, o que freia a rentabilidade ao produtor que, teoricamente, o aumento da moeda garantiria.

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Dólar fechou em alta de 0,59%, vendido a R$ 4,24, maior valor desde que foi criado o Plano Real. Buffon: “Os preços no Brasil continuam os mesmos R$ 70,00 por exemplo, com o dólar mais caro e o bushel mais barato” (foto: Agência Brasil)


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O aumento do dólar nos últimos dias tem deixado sojicultores em alerta. Como praticamente os insumos para a produção e a venda são cotados pela moeda norte-americana, o setor está apreensivo, acompanha atentamente a situação e demonstra preocupação. “É um impacto complicado neste momento. O dólar alto influencia muito pois impacta diretamente nos custos de produção. Como é o momento de plantação de lavoura, por mais que a maioria tenha feito os negócios, comprado os insumos para a safra, tem muita coisa ligada ao dólar”, afirmou Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Tocantins (Associação de Produtores de Soja e Milho do Tocantins) ao Norte Agropecuário. Nessa terça-feira, dia 26, o dólar fechou em alta de 0,59%, vendido a R$ 4,24, maior valor desde que foi criado o Plano Real.

Para ele, o patamar do dólar está “fora da realidade” do negócio da soja. “Em custo, está fora da realidade. O custo da agricultura é 100% feito em dólar. É bem preocupante”, destacou.

Por outro lado, como a comercialização também é feita em dólar, a expectativa seria positiva, não fosse um detalhe: os índices com base na bolsa de Chicago não acompanham esse aumento. “[Os índices] não estão sendo acompanhados. Quando o dólar sobe, a bolsa de Chicago, em bushel, cai. Caindo lá, os preços não mudam e os custam mudam. Esta é a relação que traz insegurança ao produtor”, disse.

Diferente do Brasil, que os preços de grãos são definidos por sacas, o bushel é unidade de medida usada pelas bolsas americanas que, em volume, significa 35,24 litros.  “Os preços no Brasil continuam os mesmos R$ 70,00 por exemplo, com o dólar mais caro e o bush mais barato. Isso realmente traz mais prejuízo, custo alto e a rentabilidade não acompanha”, complementou.

Segundo ele, caso Chicago mantivesse o dólar alto, automaticamente, o preço para venda do produtor chegaria a R$ 80,00 a R$ 85,00 a saca de soja. “O dólar traz insegurança muito grande para o setor da soja. Estamos em alerta e na tentativa para diminuir um pouco o impacto”, finalizou.

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