Criada em 19/06/2020 às 17h19 | Política brasileira

“Precisamos descomplicar”, afirma presidente da CNA ao cobrar do Congresso leis para reduzir burocracia do crédito rural

Em live com ministra Tereza Cristina, João Martins reiterou a necessidade de o Congresso construir políticas para modernizar o sistema financeiro nacional no que se refere ao crédito rural com o intuito de reduzir a burocracia e atrair mais interessados em investir no agronegócio.

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João Martins e Tereza Cristina discutem o Plano Safra, anunciado pelo governo, que vai destinar R$ 236,3 bilhões para o período 2020/2021, 6% a mais do que no ano passado (foto: Reprodução)

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, participaram, na quinta (18), de um debate ao vivo pelas redes sociais do Sistema CNA/Senar para discutir detalhes do Plano Agrícola e Pecuário 2020/2021 e os desafios futuros para o agro em busca de melhores condições de financiamento e competitividade para o setor.

No encontro foram abordados vários pontos do Plano Safra, anunciado ontem pelo governo federal, que vai destinar R$ 236,3 bilhões para o período 2020/2021, 6% a mais do que no ano passado, além de mais recursos para a subvenção ao seguro rural. Martins reconheceu o esforço do governo na construção do PAP com as condições que foram possíveis diante do quadro de pandemia e destacou a parceria entre CNA e Mapa para beneficiar o produtor rural.

A ministra avaliou que o volume de recursos ficou acima do esperado. “Nós achamos que foi bom, acima da nossa expectativa. Houve sensibilidade por parte do governo prestigiando o setor, que não parou, continuou trabalhando, gerando divisas para o país e garantindo o abastecimento. Foi um esforço de caixa com a parte fiscal do governo fragilizada. Não era um caixa propício para um Plano Safra”, ressaltou.

O presidente da CNA reiterou a necessidade de o Congresso Nacional construir políticas para modernizar o sistema financeiro nacional no que se refere ao crédito rural com o intuito de reduzir a burocracia e atrair mais investidores privados interessados em investir no agro. “Precisamos descomplicar”, afirmou.

Martins anunciou que no segundo semestre vai entregar à ministra uma proposta de plano plurianual para a agropecuária, com o objetivo de possibilitar mais planejamento e previsibilidade para o setor. “Precisamos acabar com essa correria pelos recursos. Teremos objetivos claros para saber o que fazer daqui a dois, três anos”.

Outro ponto debatido foi a taxa de juros. Tereza Cristina reconheceu que as taxas para o PAP Safra ficaram aquém do esperado e justificou que, sem a pandemia, que provocou uma aversão ao risco no mercado externo e interno, as reduções dos juros poderiam ser menores. No entanto, a ministra informou que, de última hora, conseguiu mais recursos para equalizar as taxas de juros de alguns programas de investimentos, como o Moderfrota e revelou, também, um baixo interesse dos bancos privados pela equalização.

Sobre o seguro rural, João Martins destacou o aumento dos recursos para a subvenção, que terá o valor recorde de R$ 1,3 bilhão para a safra 2020/2021. Ele lembrou que se não fosse este instrumento, a seca ocorrida neste ano no rio Grande do Sul “seria uma catástrofe”. “Sempre batemos nesta tecla na CNA. É um instrumento que vai ajudar o setor e o governo entendeu o recado”.

Já a ministra informou que o montante destinado à subvenção ao seguro deverá aumentar nos próximos anos, garantia que, segundo ela, foi dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Tereza Cristina disse, ainda, que vai trabalhar para incluir mais seguradoras (hoje são 14) e resseguradoras para trabalhar no segmento agro e que a tendência para os próximos anos é aumentar a cobertura e atender cada vez mais culturas.

João Martins destacou a destinação de mais recursos para os pequenos e médios produtores dentro do PAP e defendeu a necessidade de mais tecnologia e assistência técnica e gerencial para que eles sejam cada vez mais competitivos. “Isso sinaliza que o governo quer fortalecer os pequenos e os médios produtores. Mas eles só serão altamente competitivos com assistência técnica”.

Neste contexto, Martins e Tereza defenderam, além da assistência técnica, a participação das cooperativas, principalmente na Região Nordeste, para ajudar pequenos e médios produtores da região a se desenvolverem e serem inseridos em escala comercial, formando uma classe media rural.

Uma das prioridades do governo e da CNA é o programa Agronordeste para promover o crescimento do setor agropecuário na região.

Para finalizar a videoconferência, o presidente da CNA comentou, ainda, o compromisso do governo com a inovação tecnológica, que na sua avaliação, será o grande diferencial para tornar o setor competitivo, juntamente com a assistência técnica. (Da CNA)

 

 

 


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