Criada em 26/01/2021 às 09h16 | Mercado

Pandemia impulsiona consumo, e Brasil faz a maior importação de vinho em dinheiro da história do país

O ano passado registrou o maior valor da história do país em importação de vinho, com US$ 421,76 milhões (mais de R$ 2,23 bilhões). Em relação a 2019, o aumento ficou em 13,5% - pouco mais de US$ 50 milhões em dinheiro.

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Ciro Lilla: "O vinho agrega as pessoas e muita gente vem desfrutando a bebida em suas residências” (foto: Divulgação)

Daniel Machado
DE BRASÍLIA (DF)

Isolamento social, bares e restaurantes com o funcionamento comprometido, falta de festas e famílias ficando mais tempo em casa por causa das medidas preventivas de combate à pandemia do novo coronavírus. Esses são alguns dos fatores que fez o consumo de vinho no país aumentar em 2020, principalmente com as pessoas comprando a bebida nos supermercados e adegas para consumir em casa.

Com o aumento do consumo, também houve uma elevação nas importações. O ano passado registrou o maior valor da história do país em importação de vinho, com US$ 421,76 milhões (mais de R$ 2,23 bilhões). Em relação a 2019, o aumento ficou em 13,5% - pouco mais de US$ 50 milhões em dinheiro.

Os três anos anteriores a 2020 foram de certa estabilidade nas importações de vinho, com valores na casa dos US$ 370 milhões. Assim, o montante registrado no ano passado é o primeiro crescimento real desde 2017, quando a importação de vinho tinha crescido 31,4% em relação ao ano anterior.

Os dados foram apurados no sistema Comex Stat, banco de dados oficial de transações comerciais internacionais administrado pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia.

Além disso, a alta em 2020 também ocorreu em volume, com as empresas brasileiras adquirindo 152,07 milhões de litros de vinho importado, 31,73 milhões de litros a mais do que em 2019 – elevação de 27%. Esse volume é o segundo maior da história, só perdendo para 2017.

VINHO EM CASA

Presidente da Mistral Importadora e membro da Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas), Ciro Lilla ressalta que o crescimento da compra de vinho importado vem ao encontro dos relatos dos produtores de vinho do Rio Grande do Sul, bem como do setor varejista.

“Agora com a pandemia é certo que a pessoa não podendo ir nos restaurantes, nos bares, começaram a beber mais vinho em casa. O vinho agrega as pessoas e muita gente vem desfrutando a bebida em suas residências”, ressalta Lilla, ao afirmar que o próprio setor de supermercados apostou com sucesso na comercialização de vinhos para seus clientes.

Lilla destaca que em geral o brasileiro consome muito pouco vinho na comparação com os europeus e com os países vizinhos como Argentina e Chile e isso abre espaço para crescimento do setor. “A média do brasileiro é de 2,5 litros de vinho por ano. Na Europa e na Argentina, se bebe de 30 a 40 litros por ano, mais do que dez vezes mais que aqui”, explica.

No entanto, o empresário lembra que durante a pandemia a bebida teve uma divulgação muito boa e com várias transmissões ao vivo na internet e comentários na mídia, o que motivou mais pessoas consumirem.

Outro ponto destacado pelo empresário é que com a limitação para frequentar bares e restaurantes, o consumidor brasileiro acabou substituindo as bebidas destiladas pelo vinho. Otimista, ele destaca que gostaria que o brasileiro de uma forma geral adquirisse o hábito de consumir um copo de vinho antes das refeições, como ocorre na Europa.

CHILE É A PREFERÊNCIA NACIONAL

Desde 2003, a importação de vinho chileno lidera no Brasil e, desde 2015, com mais que o dobro do segundo colocado. Em 2020, dos pouco mais de US$ 421 milhões que as empresas brasileiras compraram de vinho importado, 42%, ou seja, US$ 177,31 milhões foram do Chile.

O valor chileno é US$ 30,93 milhões (21%) superior ao registrado em 2019. Já em volume, o crescimento na importação de vinho chileno ficou em cerca de 20 milhões de litros – 72,97 milhões de litros em 2020, contra 52,93 milhões de litros do ano anterior.

Para Lilla, o vinho chileno está consolidado no gosto do brasileiro pela sua qualidade e goza da confiança do consumidor. “Você dificilmente se dá mal com vinho chileno. Ele entrega o que custa”, explica o importador, ao destacar ainda a facilidade das empresas e dos próprios supermercados para adquirir o produto do país andino. Ele também pontua o fato de milhões de brasileiros já terem visitado as vinícolas do Chile, o trabalho de promoção das empresas daquele país e a fácil identificação do produto e tipo de uva como fatores positivos para alavancar essa preferência. Segundo Lilla, vinhos da Concha y Toro e Santa Rita são os importados mais vendidos no Brasil, com destaque para os rótulos de preços mais baixos das duas empresas.

Na segunda e terceira colocação, quase que empatados US$ 67,62 milhões e US$ 66,65 milhões, estão os vinhos argentinos e portugueses, respectivamente. Facilidade com a língua, trabalhos de promoção e troca de experiência dos brasileiros com esses dois países explicam, segundo Lilla, esse posicionamento.

Na sequência, mas com valores já bem menores - entre US$ 36 milhões e US$ 23 milhões -, está o trio europeu Itália, França e Espanha.

Confira, nos quadros abaixo, a evolução da importação de vinho ao longo dos anos, bem como os valores de cada país:

 



 
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