Criada em 12/08/2021 às 08h58 | Artigo

"Vacinas obrigatórias, como o próprio nome sugere, devem ser aplicadas impreterivelmente e com regularidade"

"Hoje a comunidade científica concorda com a importância da vacinação tanto para assegurar o direito à saúde humana quanto para resguardar a segurança alimentar, por evitar grandes perdas de animais de produção e transmissão de doenças zoonóticas", consideram pesquisadoras.

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(Foto: Kadijah Suleiman/Embrapa/Divulgação)

Vacina sim: na medicina veterinária também

Por Lenita Ramires dos Santos e Emanuelle Baldo Gaspar 
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No século XVIII a Europa foi devastada pela varíola. Naquela ocasião Edward Jenner, um médico inglês do interior do país, observou que mulheres que ordenhavam vacas costumavam ter uma forma branda da doença (a varíola bovina) e não adoeciam nem morriam de varíola humana. Jenner então decidiu testar na prática sua teoria, a de que o contato prévio com a varíola bovina pudesse proteger as pessoas contra a varíola humana. Assim, ele inoculou material de pústulas de varíola bovina em um menino de oito anos.

Posteriormente, Jenner inoculou pústula de varíola humana no menino e este não adoeceu (sim, naquele tempo não havia qualquer regulamentação ética para uso de seres humanos como “cobaias”). Assim surgiu a vacinação (do latim vaccinus ou “a partir de vacas”).

Desde a publicação do tratado de Jenner sobre a vacinação, em 1798, até a erradicação da varíola no Brasil em 1971 e no mundo em 1980, houve um longo percurso, no qual foram desenvolvidos os mais diversos tipos de vacinas, tanto para humanos quanto para os animais.

Essa disponibilidade de vacinação seguida de imunização (ou seguida de proteção) levou também ao registro da erradicação mundial da peste bovina, considerada a segunda doença erradicada no mundo e a primeira em animais, graças aos programas massivos de vacinação empregados.

Hoje a comunidade científica concorda com a importância da vacinação tanto para assegurar o direito à saúde humana quanto para resguardar a segurança alimentar, por evitar grandes perdas de animais de produção e transmissão de doenças zoonóticas.

Brucelose, raiva, rinotraqueíte infecciosa bovina, diarreia viral bovina, doenças respiratórias, mastite e muitas outras, a lista de doenças de bovinos que podem ser prevenidas com vacinas é longa. Algumas têm eficácia maior, outras nem tanto. Mas, com tantas opções, como saber quais aplicar e montar um calendário de vacinação? 

Em primeiro lugar, as vacinas obrigatórias, como o próprio nome sugere, devem ser aplicadas impreterivelmente e com regularidade. A vacina de brucelose em todas as fêmeas bovinas e bubalinas entre três e oito meses de idade, sob os cuidados de um médico veterinário cadastrado no serviço veterinário oficial de seu estado de atuação e a vacina de febre aftosa, a depender do calendário oficial, amplamente divulgado anualmente.

No caso da raiva, a vacina é obrigatória em todos os animais de propriedades com foco e perifoco da doença (propriedades vizinhas). Neste caso vale lembrar que a raiva é uma zoonose (pode ser transmitida aos humanos) com praticamente 100% de mortalidade em humanos.

Já com relação às demais vacinas, é importante que as doenças de ocorrência na propriedade sejam identificadas pelo médico veterinário, para se introduzir a devida vacina e evitar perdas de animais ou quedas nos índices produtivos e reprodutivos. A opção pelo uso de um produto polivalente (protege contra várias doenças) ou monovalente (protege contra uma doença) também vai depender do custo-benefício baseado na ocorrência da doença na propriedade.

O esquema de vacinação pode variar um pouco dependendo da vacina e da marca, mas é comum que haja a necessidade de duas doses com intervalo de três a cinco semanas na primeira vacinação e depois, reforços anuais. Desta forma, a definição de estação de monta e concentração dos nascimentos é muito importante, para sincronizar os manejos de vacinação. Outras vacinas são aplicadas no final da gestação e a estação de monta também facilita estes manejos de vacinação de fêmeas prenhes, por permitir uma certa sincronização nos partos. 

Identificadas as doenças de ocorrência, deve-se montar um calendário de vacinação  e, importantíssimo, manter-se o registro dos manejos, inclusive anotando nome e marca da vacina, para posterior conferência.

Este calendário de vacinação deve fazer parte do calendário sanitário, que, deve conter também esquemas de vermifugação, tratamento de ectoparasitas, cura do umbigo, e qualquer procedimento que vise a melhoria do status sanitário do rebanho. 

Algumas doenças evitáveis por vacina, dentre elas as clostridioses (doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium) são muito graves e não têm tratamento. Embora outras medidas de controle, tais como o descarte de carcaças de forma correta (por exemplo, enterrando em covas profundas e longe de cursos d'água) e o uso de bebedouros (evitando-se açudes) possam minimizar a ocorrência de certas doenças e devam ser adotadas, a vacinação é extremamente importante para evitar perdas de animais. Apenas para se ter uma ideia de quão grande é o prejuízo, estima-se que cerca de 20% da produção animal é perdida devido aos impactos negativos das doenças, segundo dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Vale mencionar ainda que o uso regular e racional de vacinas têm o impacto de reduzir o uso de antibióticos, tornando a produção animal mais sustentável. Então, é imprescindível aderir aos programas existentes. Quer seja para a prevenção de doenças humanas ou de animais de produção, vamos dizer sim às vacinas. (Da Embrapa)

* Lenita Ramires dos Santos é pesquisadora da Embrapa Gado de Corte; e Emanuelle Baldo Gaspar é pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul.



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