Criada em 10/08/2021 às 15h07 | Grãos

Impactos das condições climáticas nas lavouras fazem Conab reduzir em 4,8% a estimativa da produção de grãos no Estado do Tocantins

Sorgo é um dos destaques da análise da Conab referente ao Tocantins. A estimativa é de aumento de 48% da área e da produção. “Uma boa opção de cultivo devido ao atraso na colheita da soja de sequeiro, visto que o cereal possui uma maior tolerância ao déficit hídrico”.

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Clima adverso impacta as lavouras e produção de grãos em todo o Brasil deve chegar a 254 milhões de toneladas na safra 2020/21 (Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA)




 

 

Com os impactos das condições climáticas adversas nas lavouras, estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta redução de 4,8% na produção de grãos do Tocantins. Entretanto, o Estado ainda terá volume considerável em relação aos últimos anos.

A estimativa para o ciclo 2020/2021 é de produção de 5.573,4 toneladas. Na safra anterior foi de 5.853,4. A área prevista em 2020/2021 será de 1.627,8 hectares, ou seja, 4,3% a mais que em 2019/2020, que foi de 1.560,1 hectares. O anúncio da Conab foi feito nesta terça-feira, dia 10.

O SORGO

Um dos destaques da análise da Conab referente ao Tocantins é sobre a produção de sorgo. “O clima quente e seco vem contribuindo para o avanço da colheita, estima-se que 85% das áreas semeadas estejam colhidas. A produtividade nas lavouras vai de 33 scs/ha a 50 scs/ha, essa larga diferença está atrelada ao grau de investimento realizado pelo produtor”, diz o documento.

A estimativa é de aumento de 48% da área semeada e da produção. “A cultura do sorgo figurou-se como boa opção de cultivo devido ao atraso na colheita da soja de sequeiro, visto que o cereal possui uma maior tolerância ao déficit hídrico”.

O MILHO

No que se refere ao milho, aponta a Conab, “a colheita do grão vem atingindo patamares superiores a 70% da área semeada, e a produtividade vem oscilando entre 3.900 e 4.920 kg/ha. Registramos no campo a grande utilização de silos bolsas nas fazendas, o que caracteriza déficit de armazenagem no setor agrícola, principalmente em regiões de constante expansão agrícola. Os produtores estão no aguardo de melhores preços e, no momento, vêm segurando a comercialização do grão”.

A SOJA

Ainda conforme a Conab, “no Tocantins, o plantio da soja subirrigada foi concluído na primeira quinzena de junho, com expectativa de manutenção de área. As lavouras se encontram na sua maior parte no estágio de enchimento de grãos. Toda a área de soja subirrigada é destinada à produção de semente. Até o momento, não foram observados nas lavouras problemas fitossanitários que estejam fora dos níveis de controle”.

O ARROZ

Já em relação ao arroz, aponta a Conab, “a região norte houve decréscimo na área plantada em 0,5% em comparação à safra anterior, por outro lado, houve crescimento na produtividade média, perfazendo assim uma produção total de 4,2% superior àquela apresentada em 2019/20 (totalizando 1.033,3 mil toneladas colhidas)”.

E o Tocantins é destaque novamente nesta cultura: “Dessa forma, a região se configurou como a segunda maior produtora nacional de arroz, tendo como maior destaque a produção em Tocantins, que obteve um pouco mais de 692 mil toneladas de arroz nesta temporada, com a maioria oriunda da rizicultura irrigada”.

NÚMEROS NACIONAIS

As condições climáticas registradas durante o ano safra 2020/2021 impactaram as lavouras e a nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção brasileira de grãos no período é de 254 milhões de toneladas, volume menor que a safra anterior em 1,2%. Apesar de ter havido aumento de área plantada em mais de 4%, a redução se deve, principalmente, à queda das produtividades estimadas nas culturas de segunda safra, justificada pelos danos causados pela seca prolongada nas principais regiões produtoras, bem como às baixas temperaturas com eventos de geadas ocorridas nos estados da Região Centro-Sul do país. Os dados estão no 11º Levantamento da Safra de Grãos 2020/2021, divulgado pela Companhia nesta terça-feira (10).

Entre as culturas mais afetadas destaca-se o milho. A produção total deve chegar a 86,7 milhões de toneladas, sendo 24,9 milhões de toneladas na primeira safra, 60,3 milhões de toneladas na segunda e 1,4 milhão de toneladas na terceira safra. Apenas para a segunda safra do cereal, a queda na produtividade estimada é de 25,7%, uma previsão de 4.065 quilos por hectare. A redução só não foi maior porque os altos preços do grão impulsionaram um aumento de área plantada em 8,1%, chegando a 14,87 milhões de hectares. Além disso, Mato Grosso, principal estado produtor, foi o que menos registrou condições climáticas adversas durante o cultivo do cereal.

Com a colheita encerrada, a soja apresenta uma elevação de 11,1 milhões de toneladas na produção desta safra. Desta forma, o Brasil se mantém como maior produtor mundial da oleaginosa com uma colheita recorde de 135,9 milhões de toneladas.

Para o arroz, a produção neste ciclo teve crescimento de 5% em relação ao período anterior, chegando a 11,74 milhões de toneladas. Já em relação ao feijão, as atenções se voltam para a cultura de terceira safra, que está em fase inicial de colheita. A produção total é estimada em 2,94 milhões de toneladas, 8,8% menor que o obtido na safra 2019/2020, impactada pela seca nas principais regiões produtoras do país.

Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. Na atual safra a expectativa é que a produção seja de 8,6 milhões de toneladas, um novo recorde para o país caso confirmada a estimativa. Com o plantio já encerrado, o grão apresenta um expressivo crescimento na área de 15,1%, situando-se em 2,7 milhões de hectares. Os preços elevados no mercado internacional nos últimos anos incentivaram a maior procura pelos produtores. Aliado à valorização externa, o alto custo do milho no cenário nacional também incentivou o cultivo do trigo, por ser um possível substituto para ração animal. Caso a estimativa de colheita seja confirmada, esta será a maior produção já registrada no país. No entanto, as condições climáticas das lavouras podem influenciar nos resultados. As consequências das geadas registradas nas principais regiões produtoras nas últimas semanas ainda serão quantificadas pela Conab.

O MERCADO

No âmbito do mercado externo, o algodão em pluma segue com cenário positivo no mercado internacional. Neste levantamento, a Companhia elevou a previsão do volume exportado da fibra na safra 2020/2021 em 4,69%, em relação à estimativa anterior. Por outro lado, foram reduzidas as previsões do volume exportado de milho e de soja.

Para a oleaginosa, mesmo com o aumento da produção, foi observado ao longo do ano baixo percentual comercializado até o momento. Com isso, as exportações anteriormente estimadas em 86,69 milhões de toneladas passaram para 83,42 milhões de toneladas. No caso do cereal, a partir dos efeitos do clima na produção e da reversão do destino de contratos de exportação para o mercado doméstico, a expectativa é de queda nas exportações em 20%, o que corresponde a 23,5 milhões de toneladas ao final da safra. Por outro lado, a projeção de importação manteve-se inalterada em 2,3 milhões de toneladas.

Quanto ao trigo, para esta nova safra a Conab espera aumento de produção aliado ao incremento do consumo interno em 3,74%. O cenário é favorável, de modo que os estoques de passagem estarão em nível mais confortável. A previsão é que fechem o ano em 1.793,9 mil toneladas, volume próximo ao observado em safras anteriores a 2019/2020. (Com informações da Conab)

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